A serviço do planeta: crescimento de aplicativos ambientais revela novo campo de ação digital

Texto produzido com ajuda de I.A e edição de Eduardo Vilaça
Foto: Lucas Filho

A tecnologia digital tem impulsionado a criação de aplicativos ambientais no Brasil. Um estudo analisou 119 apps voltados à gestão, sustentabilidade e educação ambiental, destacando seu papel na conscientização ecológica e no acesso à informação.

Foto: Lucas Filho


Nos últimos anos, o avanço da tecnologia móvel tem encontrado um aliado inesperado: o meio ambiente. É o que aponta o artigo “Tecnologia e meio ambiente: levantamento de aplicativos móveis voltados a temas ambientais”, publicado no Brazilian Journal of Development. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade do Estado do Pará (UEPA), mapeou 119 aplicativos com finalidade ambiental lançados entre 2016 e 2020 na loja Google Play.

Com foco em categorias como gestão ambiental, sustentabilidade, biodiversidade, educação ambiental, aquecimento global e crimes ambientais, o levantamento revela que, mesmo com um mercado competitivo e desafios técnicos, a criação desses apps tem crescido de forma consistente. “Os aplicativos estão associados às suas respectivas plataformas móveis […], onde os líderes de mercado são Android e iOS”, destacam os autores, que analisaram especialmente a loja Android.

Embora a maior parte dos aplicativos tenha sido criada com foco em gestão ambiental (25 apps) e educação ambiental (23 apps) — refletindo o interesse de empresas e instituições públicas em controlar impactos e difundir conhecimento —, as categorias sustentabilidade (19 apps) e biodiversidade (17 apps) foram as preferidas pelos usuários em número de downloads. Isso revela que o público busca soluções práticas, acessíveis e com impacto direto no cotidiano.

“Enquanto a maioria dos programas voltados à gestão ambiental concentra-se aos agronegócios, os apps que trabalham a sustentabilidade carregam consigo uma carga valorativa em relação à sobrevivência do próprio homem”, analisa o artigo. Em outras palavras, o engajamento popular se mostra mais forte quando os aplicativos dialogam com a vida real do cidadão comum — seja ao reduzir o desperdício de água, orientar sobre coleta seletiva ou ensinar sobre espécies da fauna local.

A pesquisa também destaca a importância da educação ambiental não formal e do uso da tecnologia como estratégia pedagógica. Amparada na Lei nº 9.795/1999, essa abordagem permite que aplicativos ampliem o alcance do ensino ecológico, em escolas, comunidades e até mesmo em casa. “A falta de diretrizes e conhecimento torna a preocupação uma vontade sem ação concreta”, dizem os autores, ao justificar o papel fundamental das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) na transformação dessa realidade.

A era dos aplicativos móveis, que já conta com mais linhas móveis ativas do que habitantes no Brasil, segundo dados da Anatel e do IBGE, oferece uma oportunidade estratégica para democratizar o acesso a informações ambientais e ampliar a conscientização. “A demanda por aplicativos na área ambiental está em crescimento diante da necessidade de soluções objetivas e acessíveis à população”, conclui o artigo.

Mais do que tendência, trata-se de um caminho irreversível: tecnologia e meio ambiente já caminham juntos, e os dispositivos que carregamos no bolso podem ser poderosas ferramentas para preservar o planeta.


VERDADE EM ANÁLISE

AfirmaçãoFato ou Fake?
A maioria dos aplicativos ambientais desenvolvidos é voltada à gestão pública.Fato – 25 dos 119 apps mapeados focam em gestão ambiental.
Aplicativos de sustentabilidade são os menos baixados pelos usuários.Fake – São, junto com os de biodiversidade, os mais baixados.
Educação ambiental por apps não tem respaldo legal.Fake – A Lei nº 9.795/1999 autoriza educação ambiental em espaços não formais.

Autor@s do artigo

Glauciane Santos da Silva: glauciane.silva@uepa.br
Tiago da Silva Gama: tiago.gama@uepa.br
Cleide Mara Sousa de Almeida: cleide.almeida@uepa.br