Óleo de copaíba mostra potencial antifúngico superior a medicamento comercial, indica estudo da UFPA

Texto produzido com ajuda de I.A e edição de Camila Gaia


Estudo da UFPA mostra que o óleo essencial de copaíba possui ação antifúngica superior ao nitrato de miconazol contra fungos como Aspergillus e Candida, com potencial para uso terapêutico sustentável e valorização da biodiversidade amazônica.

Foto: Lucas Filho



Um estudo publicado na Revista Brasileira de Plantas Medicinais investigou o potencial antifúngico do óleo-resina e do óleo essencial de Copaifera multijuga Hayne, uma espécie amazônica popularmente conhecida como copaíba. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal do Pará (UFPA), demonstrou que o óleo essencial extraído da planta pode inibir o crescimento de fungos com mais eficácia que o próprio nitrato de miconazol, um dos antifúngicos comerciais mais utilizados.

“O óleo essencial apresentou halo de inibição com diâmetro de 19,5 mm, maior 25% do que o halo de inibição produzido pelo nitrato de miconazol”, destacam os autores. A ação foi observada principalmente sobre os fungos Aspergillus flavus e a levedura Candida parapsilosis, com concentração mínima de inibição de apenas 0,08 mg/mL.

A copaíba é uma árvore típica da Amazônia e o seu óleo é amplamente usado pela medicina popular. A coleta foi realizada de maneira sustentável, no município de Santarém (PA), com técnicas que não comprometem a saúde da árvore, o que reforça a viabilidade ecológica do seu uso.

Eficiência comparada

O experimento testou o óleo bruto e sua fração destilada frente a cinco espécies de fungos do gênero Aspergillus e três do gênero Candida. O óleo foi aplicado em discos de papel sobre meio de cultura com esporos e incubado por 10 dias. De acordo com os pesquisadores, “a inibição dos microrganismos do gênero Aspergillus e Candida é extremamente promissora, em virtude dos valores de inibição terem atingido índices acima de 90%”.

Além da eficácia, os cientistas ressaltaram a baixa toxicidade esperada do produto natural e a importância de se buscar novas fontes de antimicrobianos frente à crescente resistência a medicamentos convencionais. “O óleo essencial de Copaifera multijuga Hayne poderá ser um bom indicativo para estudos mais específicos nos combates à aspergilose ou candidíase”, afirmam.

Química da planta

A análise química revelou a presença de até 23 compostos no óleo-resina e sete no óleo essencial. Entre os principais responsáveis pela ação antimicrobiana estão substâncias como α-copaeno, β-cariofileno, trans-α-bergamoteno e γ-muuroleno. A destilação fracionada foi essencial para isolar as moléculas mais ativas, segundo os autores.

Apesar dos bons resultados, a ação dos óleos durou até o oitavo dia, indicando um efeito fungistático — ou seja, que inibe o crescimento, mas não elimina totalmente os microrganismos.

Desdobramentos futuros

Os autores sugerem que novas pesquisas sejam conduzidas para identificar as moléculas responsáveis pelo efeito antifúngico e testar o produto em sistemas biológicos mais complexos. O uso terapêutico da copaíba, além de promissor, carrega consigo o potencial de valorização de espécies amazônicas e práticas de manejo sustentável.

  1. VERDADE EM ANÁLISE

🧪 “Óleos essenciais não funcionam contra fungos.”
FAKE!
O estudo demonstrou que o óleo essencial de copaíba foi até mais eficaz do que o nitrato de miconazol em alguns casos, como frente ao Aspergillus flavus.

🌿 “A copaíba pode substituir antifúngicos convencionais.”
FATO (com ressalvas)
Os resultados são promissores, mas ainda são necessários ensaios clínicos em humanos para validação terapêutica ampla.

🪵 “Extrair óleo de copaíba mata a árvore.”
FAKE!
A coleta pode ser feita com técnicas sustentáveis que preservam a planta e permitem colheitas futuras, como mostram os métodos usados no estudo.


Autor@s:
R.J.A. Deus – dedeus@ufpa.br
C.N. Alves
M.S.P. Arruda